9 de maio de 2018

Mães com pinta - MARTA WAHNON

Marta Wahnow, tem 44 anos e é mãe da Benedita de 14. É relações públicas, mas resolveu criar o seu próprio negócio de comida saudável - BE WELL - depois de ter superado um distúrbio alimentar e fruto da sua atual forma de estar na vida, saudável e otimista!
Hoje defende que dar ao corpo alimentos saudáveis é mais importante do que fazer dieta para não engordar. É sobre isso que vamos falar, sobre maternidade/adolescência, sobre como consegue conciliar tudo (família, casa, profissão), sobre estilo e claro, dicas de alimentação saudável.
Espero que gostem!



Como surge esta tua preocupação/ paixão pela comida saudável?
A preocupação por uma alimentação equilibrada foi algo que sempre me acompanhou. Fui criada em redor de uma mesa onde frutas e verduras eram presença obrigatória e, ao dia de hoje, não os ter é para mim uma refeição incompleta.
Uma preocupação com uma maior incidência acontece aos meus 17\18 anos. Altura em que me apercebi que sofria de um distúrbio alimentar - bulimia. Devido a um desenvolvimento físico tardio, consequência do desporto que praticava na altura (federada em ginástica rítmica), até passar de "cotonetes ambulantes" a corpo de mulher. Traduzido, na minha cabeça era o mesmo que me chamarem gorda. Foi uma bola de neve e um tempo que, confesso, não sinto saudades! Vivia a pensar em comida, o meu refúgio, deitava-me crente que o dia seguinte seria diferente. Nestes anos experimentei todas as dietas possíveis! A minha psicóloga de distúrbios alimentares, um grande apoio nesta altura, ajudou-me muito, no entanto, cabia-me a mim dar o passo para a mudança.
Hoje sei que é algo que está e estará comigo para sempre – curada não é o termo; ao mínimo deslize, achando eu que tenho tudo controlado, facilmente passo a ver o outro lado da moeda sem sequer saber como.
É necessário parar para avaliar uma situação destas, e foi o que fiz, tive que procurar ajuda e agora são ferramentas que trago para a vida.
Uma alimentação saudável é sinónimo de equilíbrio e, tendo em conta o meu historial, é isso que busco diariamente. Hoje percebo que esse equilíbrio pode e deve ter altos e baixos, não deve ser algo radical que me coíba de passar bons momentos sociais, com os meus amigos e família, nem deve ser algo avassalador. Acima de tudo, percebi que o importante é cuidar de mim, dar-me coisas boas, e daí nasce o saudável, passar a comer de forma equilibrada e saudável foi uma escolha, que só se tornou uma profissão há pouco tempo.



Explica-nos o conceito da BE WELL.
O projeto Be Well começou há cerca de 2 anos. Inicialmente com as saladas em frasco e um programa Detox só de sopas por 3 dias. Nasceu da comida que fazia em casa, para mim, e que partilhava com aqueles que estão mais próximos. Sempre tive o cuidado de fazer comida saudável, mas saborosa, não só para mim, mas para os miúdos. Íamos para a praia com as saladas nos frascos e toda a gente nos cobiçava; comecei a pensar que poderia juntar esta paixão ao trabalho. Leio imenso sempre os alimentos e estas novas correntes dos benefícios de cada alimento e as suas combinações, sempre com toque especial de especiarias. Eu adoro especiarias e são um enfeite a nível de cor e de sabor, mágico. 
Comecei com as saladas e sopas, era o que mais me pediam e o feedback foi tão bom que me motivou a pesquisar mais, a criar mais pratos, até que comecei a ter pedidos mais específicos. Saliento sempre que não sou nutricionista, nem médica, sou uma apaixonada por comida saborosa e saudável até porque me apaixona o conceito de cuidar de nós.
Rapidamente as pessoas começaram a associar as minhas receitas também à perda de peso ou desintoxicação, isto porque fui fazendo programas de três dias de forma a que as pessoas façam uma pausa/um reset naquilo que comem; ponham os abusos de lado e ingiram alimentos saudáveis combinados de forma criativa. E para além de se sentirem melhor acabam por desinchar e perder alguns excessos.
Tenho noção que há toda uma tendência 'healthy' que ajuda este negócio a ser um sucesso, mas como levo muito a sério estas questões da alimentação e não tenho nenhuma formação na área, todos estes programas são elaborados por mim, mas com supervisão e adjudicação de nutricionistas. Eu sou formada em comunicação, adoro o que faço, sou apenas uma 'healthy food lover', que defende acima de tudo que uma alimentação cuidada não deve, nem tem que ser 'sem graça', bem pelo contrário! Devemos usar e abusar daquilo que a terra nos dá e criar pratos, sejam estes doces ou salgados, repletos de cor e a transbordar de sabor.

Partilhas connosco 3 dicas simples de alimentação saudável?
Umas das principais dicas que costumo dar para nos mantermos fieis ao saudável é: não deixar o frigorifico sem frescos! É das primeiras e mais fáceis desculpas para ir comer outras coisas fora de casa. Fruta e legumes sempre! 
Água – é de conhecimento geral que 70‰ do nosso organismo é constituído por água, por isso não nos devemos esquecer de beber muita. Se quisermos, aqui fica outra dica: meio sumo de limão numa garrafa de 1.5L torna a água mais alcalina, o limão ajuda na desintoxicação do fígado e na sua regeneração. 
Para os lanches das crianças, e falo por experiência própria, os frascos de frutos da Be Well. Como mãe, facilita-me a vida. Sai do frigorifico para a lancheira, uma embalagem de 250ml em vidro cheia de cor e nutrientes! Um 'snack' que substitui um doce é puré de maçã com canela e salpicos de granola. 
Uma outra dica que deixo para quem tem filhos, comecem por arriscar mais quando preparam as lancheiras, semanalmente pode ser introduzido um novo alimento no menu, mesmo que “disfarçado” pela forma criativa que pode ser cozinhado.

Qual a importância da cozinha na tua vida familiar?
Na cozinha acontece de tudo um pouco já que se trata do local onde estou mais tempo e quem quer estar comigo acaba sentado na mesa enquanto trabalho. Isto vale para a Benedita, para os meus enteados enquanto almoçam ou lancham e para as minhas clientes que muitas vezes vão buscar as suas encomendas e acabam por ficar a beber café enquanto conversam e provam experiências disto e daquilo.
O contacto da Benedita com a cozinha é natural, não gosto de impingir, isto foi uma escolha que eu fiz acreditando 100% nos seus resultados, mesmo que indiretamente ela acabe sempre recebendo um pouco do meu trabalho. Muito importante também é o facto de me ir dando feedback face aquilo que coloco na lancheira. Atualmente as adolescentes já estão muito mais atentas, ou seja, as amigas perguntam-lhe tudo e mais alguma coisa e ao chegar a casa recebo um mini questionário que também lhe desperta alguma curiosidade. 




A tua filha tem, desde cedo, contacto com uma alimentação saudável. És condescendente com batatas fritas, refrigerantes...?
Tenho a sorte de ter uma filha “pisca”. Já eu o era também, mas no caso dela acaba por ser uma vantagem porque não gosta de molhos, nem é grande fã de 'junk food'. Quando era mais pequenina, volta e meia, vinha do colégio certa que gostava de coca-cola; eu não hesitava, abria e obrigava-a a beber na hora, cheia de espuma e gás... Resultado: não passa do 3º golo até aos dias de hoje. Mesmo com 14 anos tento incutir a sugestão que falei anteriormente e de vez em quando, coloco-lhe um novo ingrediente no prato, até assimilar. 

Como vives a maternidade e a família?
A maternidade fez-me crescer como ser humano, tornou-me mais humilde e obrigatoriamente mais altruísta. Têm sido 14 anos de aprendizagem e tenho a sensação que assim será sempre; é um pôr à prova constante e a maior parte das vezes sem termos noção se estamos a fazer bem ou mal. Se houvesse um manual estaria certamente esgotado. A maternidade tem sido um caminho espetacular.
A família é o pilar essencial para tudo o resto, no meu caso é o que me dá sentido e suporte. Tenho uma relação muito próxima e de cumplicidade com a minha e sou uma sortuda na família que tenho vindo a formar. 




A tua filha é adolescente. Como é a relação mãe e filha nesta fase? 
Delicada! Isto já não pode ser chamada como a tradicional “fase do armário”, mas sim de um closet inteiro! Atualmente parece que elas crescem muito mais cedo e têm necessidades e informações que na minha altura era impensável. Por isso, tento balancear tudo isso acrescido ao facto de ser a minha única filha. 
No geral temos uma relação muito boa, ela é uma miúda fácil, mesmo sendo adolescente, não deixamos de conversar e manter a nossa cumplicidade. Acima de tudo somos Mãe e Filha, porque amigas, isso ela encontra-as no colégio! Não defendo nada essa ideia de que somos amigas, somos Mãe e filha, considero relevante nunca esquecer o nosso papel e agora mais que nunca, que acham que sabem tudo e na verdade ainda não fazem ideia de nada! Eu deixo-a sonhar, criar as suas ideias e expectativas, com o objetivo de acreditar em si. Daí esta fase ser delicada, há confronto, mas ao mesmo tempo quero que ganhe confiança, defenda as suas opiniões e seja fiel à sua personalidade. 

Maiores dificuldades, preocupações?
Ainda não cheguei lá na prática, no entanto, estou ciente que é uma questão de que estou muito perto - A importância de ter confiança em si própria será fundamental numa das grandes preocupações: ser influenciável ou não. Quero muito que pense pela cabeça dela porque a sementinha já lá está, é um trabalho continuo, agora é acompanhar e acreditar que tudo vai correr bem.
Como Mãe de uma adolescente, tento dar ouvidos a tudo o que me conta, independentemente do interessante que possa ser ou não, cabe-nos ou resta-nos muitas vezes ler nas entrelinhas. É esperar que se feche o menos possível, pois sabemos que é típico nestas fases.



E o que é que a Benedita te ensina?
Nem ela sonha o quanto! Na verdade acho que nem eu. Tal como ela, eu também já me achei uma sabichona. Mas desde que aqueles 3kg de gente, com 51cm, me caíram no colo que percebi que muitas vezes não sei literalmente nada. Foi logo a primeira grande lição e a partir daí são sucessivas, até porque ela faz surgir em mim características que desconhecia. Tornamo-nos realmente super mulheres, com super poderes. As magias que fazemos para acabar com as dores de barriga enquanto bebés, mais tarde as magias das festas de anos, da possibilidade de ir buscar à escola, levar à ginástica, fazer jantar e ler uma história. A resistência nunca acaba. O cansaço nunca ganha, e impreterivelmente queremos o melhor para os nossos filhos. Não se explica, só vivendo. 
Com ela sinto que tenho tanto a aprender e o que faço parece sempre pouco. Quanto à Benedita, à imagem da sua idade, simplifica tudo, mas de uma forma racional.

Como concilias a tua vida profissional agitada com as rotinas do dia a dia, família? Consegues ter tempo para ti? 
À semelhança de qualquer novo negócio, o arranque é o mais importante. Temos que dar tudo o que temos e não temos, e tenho a sorte de ter uma família que me compreende e apoia a 100%. Só isto já é meio caminho andado para compensar as poucas horas de sono ou os dias mais difíceis.
O início da semana na Be Well é uma verdadeira correria, com um elevado número de encomendas, mas depois disso, consigo equilibrar o trabalho com a família e o meu bem-estar. O meu bem-estar encontro na prática de exercício físico - muito mais que manter a linha vejo-o como um escape emocional.

Define o teu estilo pessoal? 
Sou naturalmente descontraída, sem deixar de ser vaidosa. No entanto, atualmente passo muito tempo na cozinha e talvez abuse dessa desculpa para ter um estilo cada vez mais descontraído. 
Gosto de ir às compras, como qualquer mulher e homem também, mas não é a minha prioridade. Quando me arranjo não me visto baseada no que está na moda, mas sim com aquilo que gosto ou que considero que me fica bem.

E o da tua filha? 
Ela é surfista e tem o seu estilo, mas tenho vindo a observar que na sua maioria são todas um pouco assim, um estilo descontraído na forma de vestir a contrastar com os cabelos compridos, pelo meio das costas.
Sinto que tenho cada vez menos influência na escolha da roupa dela, no Carnaval fiz a mala dela para irmos a Madrid e jurei a mim própria que tinha sido a última vez. Não acertei em nada! Está numa idade em que o seu gosto muda tão rápido que é difícil acompanhar. 

A peça essencial nos vossos armários? 
Calças de ganga para ambas.
Cor preferida da Benedita: azul
Minha cor preferida: branco
No verão, para mim o biquini. Ela ainda está na transição, por isso, fato de banho ;)

Programa que mais gostam de fazer juntas?
Ir busca-la depois das aulas para irmos lanchar, sobretudo no final da semana, quando ambas já estamos mais relaxadas e não temos de controlar o tempo. Gosto imenso destes momentos, ela começa com meia dúzia de palavras e passado meia hora conta-me tudo e mais alguma coisa. Gosto de a ouvir falar, vê-la feliz através das suas conversas. Não há nada mais genuíno que isso e deixa-me tão tranquila e igualmente feliz por ela!

3 valores que consideres fundamentais na educação:
Honestidade, humildade, sentido de justiça.

O que que a mãe Marta de hoje diria à mãe de ontem?
“Descomplique”

Obrigada Marta! (podem seguir  a Marta aqui
Vou mesmo experimentar o teu plano detox! ;)


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